O pelotão amador também tem Mundial

Existe um Mundial de ciclismo que dispensa contrato com equipe. Para entrar, basta uma bicicleta, uma inscrição e um bom domingo de pedal. A única porta de entrada no Brasil fica em Santa Catarina.

De 6 a 8 de novembro, Timbó, no Vale Europeu, recebe a UCI Gran Fondo World Series Brazil. São três dias de evento, mas ninguém está correndo uma volta por etapas: cada dia tem a sua prova, e o ciclista escolhe de qual quer participar.

O prato principal é o domingo. O gran fondo é uma prova de estrada de um dia só, com 108 km e cerca de 1.600 metros de subida pelo interior catarinense. Todo mundo larga junto, como num pelotão, e o chip registra o tempo de cada um do início ao fim. Para quem prefere algo mais curto, o médio fondo sai na mesma manhã, com 80 km.

Antes disso, a sexta reserva um contrarrelógio de 13,5 km em estrada fechada, o primeiro desse tipo na América Latina. Aqui a lógica se inverte: cada ciclista larga sozinho, com 30 segundos de intervalo, e encara só o relógio. O sábado é dos 100 km de gravel e de uma corrida noturna de 5 km.

O formato tem sotaque italiano. Foi em Cesenatico, no verão de 1970, que a Nove Colli abriu a estrada para quem não vivia de pedalar, e de lá para cá a ideia continua a mesma: dar ao amador uma prova de verdade. Há uma década a UCI juntou essas provas espalhadas pelo mundo num mesmo circuito, com um Mundial no fim da temporada.

Uma parte do pelotão vai a Timbó atrás da vaga para a França. A maioria vai por outro motivo: dividir a estrada com colombianos, belgas e argentinos num dos cantos mais bonitos do país para pedalar.

As inscrições fecham em 1º de novembro.