O Grand Tour que sobreviveu

O Grand Tour que sobreviveu

Quando se fala em Grand Tour, a maioria pensa em Tour de France, Giro d'Italia e Vuelta. Provas masculinas, centenárias, gigantes. Mas existe um Grand Tour que carrega uma história diferente, feita mais de resistência do que de glamour.

O Giro d'Italia Women nasceu em 1988, na época chamado de Giro d'Italia Femminile. A primeira campeã foi a italiana Maria Canins, que já era bicampeã do Tour de France feminino. Sim, o ciclismo feminino já tinha um Tour antes mesmo de o Giro existir.

Nos anos seguintes, a prova teve suas grandes campeãs. A italiana Fabiana Luperini venceu cinco vezes e se tornou a maior vencedora da história.

Mas o que torna essa prova especial não é só o nome das campeãs. É o fato de ela ter sobrevivido.

O ciclismo feminino viu provas grandes desaparecerem. Na França, a Grande Boucle Féminine, que era considerada a versão feminina do Tour de France, e o Tour de l'Aude foram canceladas por falta de dinheiro no fim dos anos 2000. Depois de 2010, o Giro ficou sendo o único Grand Tour que restou no calendário feminino. Sozinho, segurou a continuidade de um esporte que sempre lutou por espaço.

E mudou de nome várias vezes ao longo das décadas. Giro Femminile, Giro Donne, Giro Rosa e finalmente Giro d'Italia Women. Mudou de organizador, de patrocinador, passou por reduções e interrupções. Mas nunca deixou de existir. E é justamente por isso que o seu lugar na história é tão forte. Entender essa prova é entender boa parte da história do próprio ciclismo de mulheres.

A edição de 2026 está acontecendo agora, entre 30 de maio e 7 de junho. Nove etapas pela Itália, com a decisão guardada para a montanha no último fim de semana. A maglia rosa, a camisa rosa de líder, espera por mais um nome para somar a uma lista que atravessa quase quatro décadas.

No domingo a gente descobre quem vai ser.