Escarabajos: por que os colombianos são os reis da montanha

Existe uma palavra no mundo do ciclismo que talvez você nunca tenha ouvido, mas que carrega uma história e tanto. Escarabajos.

É assim que o pelotão profissional chama os ciclistas colombianos. E o apelido tem origem curiosa.

Escarabajo, em espanhol, quer dizer besouro. Mais especificamente o escaravelho, aquele inseto pequeno e teimoso, famoso por escalar quase qualquer superfície, subindo paredes com uma facilidade que desafia o próprio tamanho.

O nome nasceu em 1955, durante a Vuelta a Colombia. O ciclista Ramón Hoyos fez uma subida tão impressionante que o narrador da corrida, ao vê-lo atacar a montanha, teria dito: aquilo não é um homem, é um besouro na bicicleta. Pegou, e nunca mais saiu.

Mas por que os colombianos viraram sinônimo de escalada?

A resposta está na geografia. A Colômbia é um país de montanhas impossíveis. Os Andes cortam o território inteiro, e muitas cidades ficam a mais de dois mil metros de altitude. Para gerações de colombianos, pedalar montanha acima em estradas de barro não era treino, era o caminho de casa.

Quando esses ciclistas chegaram à Europa, nos anos 1980, o pelotão levou um susto. Enquanto os europeus sofriam nas subidas, os colombianos voavam. A altitude, que quebrava os outros, era a casa deles.

Lucho Herrera abriu o caminho. Apelidado de o Jardineiro, porque cultivava flores antes de virar profissional, foi o primeiro colombiano a vencer uma grande volta, a Vuelta a España, em 1987. Depois vieram Fabio Parra, Nairo Quintana, Rigoberto Urán. E, em 2019, Egan Bernal se tornou o primeiro latino-americano a vencer o Tour de France.

Ser escarabajo não fala só de força nas pernas. Fala de origem. De um povo que transformou a montanha em casa e a bicicleta em símbolo. Os colombianos não escolheram ser escaladores. A terra deles ensinou.

E essa história, pra gente, é familiar. A Safetti também nasceu na Colômbia, no mesmo país dessas montanhas. Falar dos escarabajos é falar de casa.