No fim de semana que vem, dia 27, acontece o L'Étape by Tour de France em Campos do Jordão, a maior prova de ciclismo amador da América Latina. E quem já pedalou na serra sabe: o desafio não é só a montanha, é o clima.
Campos do Jordão tem fama de caixinha de surpresa. Você larga no frio da manhã e cruza a linha de chegada no sol quente. Uma prova, dois climas, às vezes três. Por isso, se vestir certo é quase tão importante quanto treinar.
Conversamos com o Felipe Fossati, embaixador Safetti, ciclista de mais de mil provas, treinador e professor doutor em educação física, para reunir os princípios que ajudam qualquer ciclista a encarar uma prova assim. E eles servem para muito além de Campos do Jordão.
O primeiro é simples: viaje preparado para todos os climas. Na serra, a previsão do tempo é só um palpite. Leve a mala completa e decida o que vestir só quando estiver na cidade, sentindo o clima real de perto.
O segundo é largar com o corpo aquecido. Agasalhe-se bem antes da prova e, se der, tire a camada mais pesada só na hora de largar, entregando para alguém. Assim você não fica esfriando na espera e já começa a pedalar com o corpo pronto.
O terceiro é sobre a camada de baixo, e é talvez o mais importante. O base layer é indispensável. Ele mantém o peito aquecido e gerencia o suor, afastando a umidade da pele. Sem ele, a jersey encharca e gela contra o corpo, e o que era conforto vira desconforto no meio da prova.
E o quarto é escolher peças que acompanham a mudança do clima. Numa prova que larga no frio e termina no calor, o segredo são as roupas que se ajustam ao longo do caminho. O colete corta-vento é o maior aliado nisso. Ele protege do frio na largada, tem aberturas de zíper que dão ventilação quando o sol aparece, e, quando não for mais preciso, cabe no bolso da jersey. As luvas seguem a mesma lógica: mantêm as mãos aquecidas no início e também vão para o bolso quando esquenta. E, para quem sente mais frio, a jersey de manga longa ou os manguitos completam a estratégia, com a vantagem de os manguitos saírem com facilidade quando o calor chega.
No fim, se vestir para a montanha é isso: montar um sistema que se adapta, em vez de apostar tudo num clima só. Quem entende isso larga tranquilo, porque sabe que tem a peça certa para cada momento da prova.
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