Campos do Jordão: a montanha lendária que fica aqui do lado

Nas últimas semanas, a gente falou por aqui sobre algumas das montanhas mais temidas do ciclismo mundial. E existe um destino à altura desses lugares dentro do próprio Brasil.

Campos do Jordão é a cidade mais alta do país, a 1.628 metros de altitude. Só esse número já muda tudo. Pedalar ali é pedalar num ar mais rarefeito, na Serra da Mantiqueira, num clima frio que rendeu à cidade o apelido de Suíça brasileira. O cenário engana, parece europeu. Mas é São Paulo.

E não é só a paisagem que impressiona. São as subidas.

A mais brutal delas é a Serra do Paiol. São cerca de 7 quilômetros a uma inclinação média de quase 11%, com trechos que chegam perto de 24%. Para você ter uma ideia, esse perfil é comparável ao do Monte Zoncolan, uma das montanhas mais temidas da Itália, escalada pela elite mundial no Giro d'Italia. A rampa que assusta os profissionais europeus tem uma irmã brasileira, e ela fica aqui.

E o Paiol é só uma entre muitas. A região é um verdadeiro parque de escaladas, com a subida do Bairro dos Mellos, o Pico do Itapeva, a Serra Velha, o Machadinho, o Lajeado. Cada uma com seu perfil, seu tipo de sofrimento, sua recompensa no topo.

Não por acaso, é justamente por essas estradas que passa o L'Étape by Tour de France, a maior prova de ciclismo amador da América Latina. Nos dias 25, 26 e 27 de setembro, Campos do Jordão recebe mais uma edição do evento, que traz para o Brasil a experiência oficial da maior corrida do mundo. Milhares de ciclistas encarando um percurso de até 107 quilômetros e 2.300 metros de altimetria.

Porque no fim, a gente não precisa atravessar o oceano para viver uma grande montanha. Às vezes, o desafio de uma vida está a uma viagem de carro de distância.