Todo mundo que pedala faz parte do mesmo esporte. Mas basta olhar com atenção para perceber que o ciclismo não é uma coisa só. É um território dividido em tribos, cada uma com sua cultura, seus valores e seu jeito de existir sobre duas rodas.
A tribo do speed é a mais antiga e talvez a mais obsessiva. Aqui tudo gira em torno de eficiência. Gramas importam, watts importam, aerodinâmica importa. É a cultura do asfalto, do pelotão, da disciplina. O ciclista de estrada mede o próprio progresso em números e enxerga beleza na leveza. Foi dessa tribo que nasceram as grandes voltas, as lendas e boa parte da estética que define o esporte.
A tribo do mountain bike é o oposto em espírito. Aqui o que importa não é o asfalto liso, é a trilha, a terra, a raiz e a pedra. É a cultura da aventura, da técnica de pilotagem, da relação com a natureza. O ciclista de MTB não busca a média perfeita, busca a descida que dá frio na barriga. Onde o speed valoriza controle, o MTB valoriza coragem.
A tribo do gravel é a mais jovem e talvez a mais livre. Ela nasceu nos Estados Unidos, no início dos anos 2000, da vontade de fugir das regras e do trânsito. Não é asfalto, não é trilha pesada, é o entre. Estrada de terra, cascalho, longas distâncias e a liberdade de ir para onde quiser. O gravel rejeita a rigidez do ciclismo de estrada e o risco extremo do mountain bike, e abraça outra ideia, a de que pedalar é sobre explorar e compartilhar o caminho, não sobre vencer. É a tribo de quem quer apenas sumir no horizonte com os amigos.
E tem a tribo urbana, do fixie, a bike de marcha fixa. Essa nasceu nas ruas de cidades como Nova York, com os mensageiros de bicicleta que precisavam de uma máquina leve, confiável e simples para trabalhar o dia inteiro no trânsito. Com o tempo, virou identidade. Minimalismo levado ao extremo, uma relação quase afetiva com a simplicidade. Uma roda, um pinhão, nada sobrando. Como disse um lendário corredor de marcha fixa, chega um ponto em que você não consegue mais tirar nada da bike, e isso é o fixie. É o ciclismo como cultura urbana, mais ligado à estética e à atitude do que à performance.
O curioso é que, apesar das diferenças, todas essas tribos compartilham a mesma coisa no fundo. A bike como extensão do corpo. A estrada, seja ela qual for, como lugar de liberdade. E aquela sensação que só quem pedala conhece, de que algumas das melhores horas da vida acontecem em cima de duas rodas.
E você, concorda com essas definições? De qual tribo você faz parte, e qual gostaria de experimentar? Conta pra gente nos comentários.
As tribos do ciclismo