A padroeira dos ciclistas mora no alto de uma subida

No sábado, 3 de outubro, um brasileiro de 20 anos venceu sozinho o Il Lombardia Sub-23, no norte da Itália. Henrique Bravo, de Nova Lima, Minas Gerais, ciclista da equipe de desenvolvimento da Soudal Quick-Step, é o primeiro do país a vencer a prova em 98 edições. Ao site da equipe, ele já tinha resumido o que o move: "Amo subidas, não importa de que tipo".

A prova é a versão de base do Il Lombardia, um dos cinco Monumentos, as clássicas de um dia de maior prestígio no ciclismo. Corrido no outono, é o último deles no calendário, e os italianos o chamam de "classica delle foglie morte", a clássica das folhas mortas.

Uma das subidas que Bravo enfrentou naquele dia guarda uma história à parte. No alto do Ghisallo, a 754 metros de altitude, perto do Lago de Como, há uma capela pequena dedicada à Madonna del Ghisallo, confirmada como padroeira dos ciclistas pelo papa Pio XII em 1949. Lá dentro, bicicletas e camisas de corrida dividem o espaço com uma chama mantida acesa em memória dos ciclistas que morreram.

Poucas modalidades têm um santuário. O ciclismo tem porque sempre guardou sua memória em estradas, mais do que em estádios, e quem sobe até ali, profissional ou não, percebe que está pedalando sobre a história dos outros.

Neste sábado, 10 de outubro, é a vez de a prova principal passar pela capela. Quem pedala costuma guardar uma lista de subidas para fazer um dia. O Ghisallo é a única em que, no topo, há uma padroeira esperando.